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Tuberculose

Tuberculose

A tuberculose (TB) é uma doença causada por uma bactéria chamada Mycobacterium tuberculosis

Recentemente, apareceram novas estirpes da doença que são resistentes aos medicamentos utilizados habitualmente. Tal como outras bactérias, as micobactérias podem sofrer alterações genéticas (chamadas mutações) que as tornam naturalmente resistentes a um medicamento anti-TB. As novas formas avançadas da doença são conhecidas como TB multirresistente (MDR-TB) ou TB ultrarresistente (XDR-TB).

É provável que esta resistência ocorra através de erros humanos, como por exemplo escolher os medicamentos errados para tratar a doença, ou por as pessoas pararem o tratamento antes de concluir todo o ciclo. Quanto mais um antibiótico é utilizado da forma errada, maior é a probabilidade das bactérias sofrerem mutações e ficarem resistentes ao medicamento. 

 

 

Infografia da tuberculose PDF Descarregue a nossa infografia para ver os pontos fundamentais sobre a tuberculose

ERS This material is a summarised version of the European Lung White Book, which can be accessed online.

  • Sintomas

    Qualquer órgão do corpo humano pode ser afetado pela doença, no entanto esta é mais frequentemente diagnosticada nos pulmões.

    Os principais sintomas da TB são:

    • Febre
    • Apetite reduzido
    • Perda de peso
    • Suores noturnos
    • Tosse persistente
    • Tossir sangue, numa fase mais avançada
  • Causas

    A TB é uma doença infecciosa transmissível através do ar. Propaga-se através de gotículas no ar, através de um espirro ou da tosse das pessoas infetadas com as micobactérias.

    O risco mais elevado de desenvolver a doença ocorre nas pessoas que estão em contacto próximo e regular com alguém que tem a doença. A investigação mostrou que as crianças em contacto próximo com um caso contagioso têm uma probabilidade de 30-50% de desenvolver TB.  

    Assim que as pessoas são infetadas com a bactéria, podem desenvolver rapidamente a doença, ficando infecciosas, apresentando sintomas e necessitando de tratamento. Isto ocorre geralmente nas crianças e em pessoas com um sistema imunitário enfraquecido. Designa-se como “TB primária”. De outra forma, a pessoa irá ter uma infeção latente, na qual não está infecciosa e não apresenta sintomas. 5-10% das pessoas com infeção latente podem desenvolver doença TB ativa.

    Há vários fatores que aumentam o risco de desenvolver TB, incluindo a diabetes, exposição a medicamentos que suprimem o sistema imunitário e o tabagismo. O fator de risco mais importante é a infeção pelo VIH. A OMS estima que o risco de desenvolver tuberculose é 20-37 vezes mais elevado nas pessoas que vivem com VIH do que nas pessoas sem infeção pelo VIH.

  • Prevenção

    Em 1921 foi introduzida uma vacina chamada BCG. Sabe-se que ajuda a prevenir algumas formas graves da doença nas crianças, mas tem um sucesso imprevisível na proteção contra o risco de desenvolver TB ao longo da vida.

    A BCG é utilizada em graus variáveis através da Europa, com alguns países a vacinar todas as crianças à nascença e outros que descontinuaram os programas de vacinação em massa.

    A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a melhor forma de prevenir a TB consiste em ter sucesso na identificação dos casos e em utilizar antibióticos para tratar a doença. As estratégias da OMS, como por exemplo a Estratégia Stop TB, contribuíram para uma redução na prevalência e incidência da TB em todo o mundo. 

    O objetivo final das autoridades de saúde pública nacionais e internacionais consiste na eliminação da TB, diminuindo os novos casos infecciosos para menos de 1 em cada milhão de pessoas até 2050, ainda que no momento da publicação os peritos achem que não seja provável que as autoridades cheguem a esta meta. 

  • Tratamento

    Colhem-se amostras de muco ou expetoração de uma pessoa com suspeita de TB e testam-se quanto à presença da bactéria. Uma radiografia torácica e por vezes um exame TC adicional são úteis para confirmar a presença da doença.

    Outros testes, como por exemplo a prova cutânea de tuberculina e um exame feito ao sangue total, conhecido como ensaio de libertação de interferão-gama (IGRA), são úteis no diagnóstico da TB latente. 

    O tratamento pretende curar a doença e evitar a transmissão a outras pessoas. O tratamento geralmente caracteriza-se por uma fase de tratamento intensiva durante 2 meses, seguida de uma fase de continuação durante 4 meses. A primeira fase geralmente inclui quatro medicamentos diferentes (isoniazida, rifampicina, etambutol e pirazinamida) e destina-se a parar o crescimento das bactérias. A segunda fase destina-se a matar as bactérias restantes. 

    A MDR-TB e a XDR-TB exigem os chamados medicamentos de segunda linha durante pelo menos 20 meses; no entanto, estes são dispendiosos, tóxicos e difíceis de gerir. 

  • Carga

    Ainda que o número de casos de TB tenha diminuído ao longo das últimas décadas, sobretudo nos países de rendimentos elevados, continua a ser um problema importante de saúde pública, em particular nos países de rendimentos baixos e médios. O processo de tratamento para a MDR-TB e a XDR-TB leva muito mais tempo e é muito mais dispendioso do que para a forma habitual da doença. e. 

    • A Organização Mundial de Saúde estimou que em 2011 havia 8,7 milhões de novos casos de TB, dos quais 1,0-1,2 milhões eram VIH-positivos
    • Estimou-se que o número total de doentes que morreram de TB no mundo em 2011 foi de 1,4 milhões
    • Na Europa, a incidência encontra-se estimada em 42 por 100 000, com um forte gradiente de Leste para Ocidente
    • Em cada ano, diagnosticam-se quase 400 000 novos casos de TB na Europa e mais de 40 000 pessoas morrem da doença
    • A TB é particularmente problemática nos países da antiga União Soviética, nos quais a MDR-TB é altamente prevalente
    • A maioria das pessoas com TB pulmonar não tratada morre no prazo de 1,5 anos após o desenvolvimento dos primeiros sintomas

    Taxa de mortalidade estimada para a tuberculose. Reproduzido e modificado a partir do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças / Escritório Regional da Organização Mundial de Saúde para a Europa, 2013, com autorização do editorhttp://ecdc.europa.eu/en/publications/Publications/Tuberculosis-surveillance-monitoring-2013.pdf

  • Necessidades atuais e futuras

    • Houve avanços significativos nos métodos de diagnóstico, mas continua a haver obstáculos logísticos e financeiros à sua adoção generalizada
    • Os países com taxas elevadas de TB terão de estabelecer e manter métodos exatos de diagnóstico e estratégias para gerir o elevado número de pessoas com TB suscetível aos medicamentos e MDR-TB
    • São necessários avanços significativos nas vacinas e medicamentos para atingir o controlo europeu e global da doença
    • É necessária mais investigação para identificar os marcadores da doença, para ajudar a prever o sucesso de novos tratamentos e vacinas
    • É urgentemente necessária uma melhor cooperação transfronteiriça na gestão do tratamento para migrantes